
Harry Potter, O Senhor dos Anéis, Divergente, Os Jogos da Fome... estes são apenas alguns dos exemplos das séries literárias que deram origem a filmes de sucesso. Livros que originaram grandes sucessos de bilheteira, que levaram histórias ao grande ecrã, que atraíram milhões de pessoas e beneficiaram os estúdios em milhões. Cada vez mais vemos a industria do cinema beneficiar da industria livreira. Aliás, já se fala que o cinema é cada vez menos original - que cada vez mais se baseia em argumentos adaptados. Também se fala que já nada há para criar - tudo se baseia numa recriação daquilo que já existe. Mas já estou a divergir do assunto que me levou a escrever esta reflexão.
Dantes achava que apenas havia uma linha de benefício entre estes dois grandes interesses - o livro a dar origem a um filme, a literatura a dar história e sucesso ao cinema, o leitor e o não-leitor a serem chamados ao cinema. [Temos ainda espaço para a linha de pensamento em que o filme retira o lugar ao livro. Pois se podemos ver o filme em 2h, qual é o interesse em ler o livro, que poderá demorar mais do que isso?]
Contudo, agora penso que poderá haver uma outra linha. Que não é só o cinema que beneficia da literatura, mas também o contrário. Senão, vejamos estes dois exemplos tão actuais.

ME BEFORE YOU (Viver depois de ti) de Jojo Moyes. Este livro foi editado em português em 2013, no entanto, só agora depois de divulgado o filme baseado no seu enredo, é que vemos a reedição com a capa do filme chegar ao TOP 10 da Bertrand e outras livrarias e a manter-se por lá - durante meses e meses a fio. Não se fala noutra história actualmente, senão a da rapariga tonta e com roupas engraçadas que se apaixona por um tetraplégico que já perdeu a esperança na vida.

NERVE, ALTO RISCO de Jeanne Ryan. O livro foi lançado em português (soube pelo blog Uma Biblioteca em Construção), pela Presença, já com uma capa alusiva ao filme, e já depois do trailer do filme ter sido lançado. Será que este livro teria sido editado em português se a história não chegasse a dar um filme? A questão fica no ar.
Poderá o cinema chamar as pessoas para a leitura? As editoras têm pensado certamente nisso para editarem e reeditarem certos livros para ficarem com as capas iguais aos posters dos filmes correspondentes. Se por um lado, desagradam os leituras acérrimos que gostam das capas tal como estão (vejo-me nesta categoria por diversas vezes), por outro lado, podem chamar aqueles que gostaram do filme e querem saber mais, bem como os leitores usuais que não conheciam o livro.
É verdade que, normalmente, os leitores não ficam fãs da adaptação a filme - esta fica quase sempre aquém das expectativas. No entanto, poderá ser uma ferramenta para chamar mais pessoas à leitura. E isso é sempre bom, certo?
