quarta-feira, 16 de setembro de 2015

Lágrimas do Sol e da Lua - Sandra Carvalho



Lágrimas do Sol e da Lua

Sandra Carvalho
A Saga das Pedras Mágicas #3

Editorial Presença (2006)
421 páginas

Origem: Estante
5,5/7 - Gostei muito




Neste terceiro volume de A Saga das Pedras Mágicas a acção e a magia continuam empolgantes. No coração da Floresta Sombria, Aesa, rainha do povo vândalo e mestra da Arte Obscura, engendra um plano para se apoderar das sete pedras mágicas da Feiticeira Aranwen. Entretanto, na Ilha dos Sonhos, Catelyn e Throst, o Guerreiro-Lobo, preparam as suas filhas Edwina, Thora e Freya para assumirem os seus próprios destinos. Edwina, a primogénita, aceita tornar-se Guardiã da Lágrima do Sol e aguarda o chamamento da Pedra do Tempo. Do outro lado do mundo, Sigarr, irmão de Aesa, treina Edwin para servir os seus desígnios. tentando concretizar a profecia que dita que o filho varão do Rei da Lua e da Rainha do Sol terá o poder de fundir a Arte Obscura e a Arte Luminosa para atingir o conhecimento absoluto. Mas será ele capaz de transformar a essência profunda do seu pupilo... ou ainda haverá esperança de salvar Edwin e libertar a Lágrima da Lua?


Sendo o terceiro livro da saga, este é o primeiro que tem Edwina como protagonista. Esta está destinada a ser a Guardiã da Lágrima do Sol, a casar com o herdeiro do Rei e ainda a combater as ameaças que surgem, nomeadamente o seu primo Edwin, prisioneiro de Sigarr, e que irá herdar a Lágrima da Lua.
Esta é uma história mais parada em relação à anterior, apesar de ter muitas reviravoltas na história e muitos dramas entrelaçados na história principal. Penso que muitos deles irão dar origem a grandes acontecimentos nos próximos livros. Mas tendo em conta que muitos deles estão relacionados com a Edwina, sinceramente tenho medo. Porque apesar de destinada a fazer parte deles, Edwina mostra-se uma protagonista fraca, frágil, apesar de supostamente ser a Guardiã da Lágrima do Sol. Esperava vê-la com mais força e mais garra, com mais magia, mas parece que todos os seus rivais são mais fortes que ela. Espero que ela consiga tornar-se mais forte, aliás, penso que terá que ser assim, porque acho que há um fim mais feliz previsto para ela, apesar de todas as adversidades, mas para isso acontecer ela tem que realmente tornar-se mais forte e lutar contra o que tem que lutar, incluindo as suas indecisões.
Por outro lado, temos ainda as irmãs gémeas de Edwina, Freya e Thora que vão tornar-se personagens bem importantes na história, pelo que se vai vendo neste livro. Uma é uma rapariga temerosa e aparentemente frágil, mas que vais florescer para alguém forte e que nos vai surpreender (assim espero) enquanto que a sua gémea já é forte e destemida embora tenha um dilema forte contra o qual tem que lutar ou se render... Mais um fio no meio de tantos.
Esta continua a ser uma boa história com potencial para ser melhor. Gostei mais do livro anterior. Este tem o inconveniente de ter uma protagonista mais fraca e indecisa, muitas personagens com muitos nomes (alguns que repetem os nomes da geração anterior) e uma acção algo mais parada. Espero que revele mais o seu potencial no próximo livro.

Não acredito que há um ano que não pego nesta saga! Ainda por cima sendo uma saga que queria ler há tantos anos e que tenho na sua íntegra na minha estante! Inacreditável -.-"


Livros anteriores
A Última Feiticeira (A Saga das Pedras Mágicas, #1)O Guerreiro-Lobo (A Saga das Pedras Mágicas, #2)

segunda-feira, 14 de setembro de 2015

A Torre dos Anjos - Philip Pullman


A Torre dos Anjos
The Subtle Knife

Philip Pullman
His Dark Materials #2

Editorial Presença (2003)
277 páginas

Origem: Biblioteca
3/7 - Nem gostei nem detestei

+1 Finish The Series Reading Challenge 2014


Mundos Paralelos é uma trilogia magnífica que se iniciou com os Reinos do Norte. A acção decorre num universo parecido com o nosso, embora diferente em muitos aspectos. Will é um jovem determinado a descobrir a verdade acerca do desaparecimento de seu pai, e para o conseguir tem de viajar até ao mundo de Cittàgazze. É lá que conhece Lyra, que, assim como ele, tem uma missão que pretende concretizar a qualquer custo. No entanto, aquele é um lugar estranho e fortemente inquietante... É também lá que se situa a misteriosa Torre dos Anjos, que guarda o segredo mais importante de Cittàgazze... Uma obra fabulosa, que à luz da mitologia escandinava e da tradição cristã, explora a possibilidade de existirem Mundos Paralelos.


A Torre dos Anjos é o segundo livro desta trilogia de Phillip Pullman. Contudo não tem uma história em que já conhecemos o universo em questão, as personagens todas, etc, etc, porque este livro envolve mundos que no livro anterior eram desconhecidos. Desta forma então, temos um segundo protagonista Will, que a certo ponto vai conhecer Lyra, a protagonista do primeiro livro.
A princípio parece não haver ligação com o primeiro livro, mas perto do meio deste começa a haver uma maior conexão entre mundos, personagens, etc, etc. Ficamos também a conhecer melhor os planos do Lorde Asriel, o pai de Lyra, quer a vontade da mãe desta em contrariar esses planos, a temível senhora Coulter.
Devo dizer que apesar de ser uma história curiosa, inédita até, não me está a cair no goto. Gostei imenso do primeiro livro e do filme que lhe deu origem, mas não gostei tanto do desenvolvimento que a história tem. A curiosidade impele-me a começar o terceiro livro, nem que seja para satisfazer um bocado essa tal curiosidade, pelo menos até chegar a algum ponto em que não queira continuar. Pelo menos assim saberei que realmente não gosto ou quero continuar a ler a história. Vamos a ver.


Livro anterior

sexta-feira, 11 de setembro de 2015

Crime no Vicariato - Agatha Christie


Crime no Vicariato
The Murder at the Vicarage

Agatha Christie
Miss Marple #1

Edições ASA (2008)
240 páginas

Origem: Biblioteca
5/7 - Gostei




St. Mary Mead é uma pacata aldeia inglesa, onde o dia-a-dia decorre sem incidentes de relevo e até os equívocos e desaguisados do costume fazem já parte da rotina diária. Mas o comportamento arrogante e intransigente do coronel Protheoroe, figura proeminente na vida da aldeia, torna-o no alvo preferido de comentários controversos e dos ódios mais enraizados, levando o próprio vigário a declarar um momento de desespero e irreflexão que quem matasse o coronel faria um favor ao resto do mundo. O sereno vigário Clement não imaginava então que este seu comentário pouco feliz voltaria para o atormentar...


Mais um policial da grande Rainha do Crime, Agatha Christie. Desta vez, sem intenção, escolhi pela primeira um policial da Miss Marple.
Devo dizer que este foi um policial bem conseguido, com muitos suspeitos como sempre, mas onde o criminoso, apesar de andar sempre debaixo do nariz, só é descoberto no fim. Foi bem ardiloso este tipo (ou tipa) na forma como ocultou a sua culpa.
Sendo esta a minha primeira leitura de um policial com a Miss Marple, é impossível não fazer comparações. Para ser sincera, pensava que a Missa Marple era mais dinâmica e mexida, quase como que uma versão feminina e mais velha de Mr. Poirot. O quanto eu me enganava. Mas apesar de menos mexida, esta personagem é bem pensadora e tem uma visão do ser humano que é impressionante. E claro, será esta a resolver o mistério.
Ainda não fiquei fã desta detective caseira, mas num futuro mais breve irei tentar outro livro com esta personagem para ver a minha reacção a ela.
O livro em si, claro, é uma leitura a recomendar :)

quarta-feira, 9 de setembro de 2015

TAG Doenças Literárias

Olá!
Hoje venho com mais uma TAG, que vi no blog O Prazer das Coisas da Tita há milhões de anos atrás. Na altura em que a vi quis fazê-la mas não achava resposta para a maioria das perguntas e para aquelas que achava, eram respostas já muito batidas por mim noutras TAG's. Felizmente quando lhe voltei a pegar hoje, já soube inovar :)
Desculpa Tita pela demora tão longa!

1. Diabetes: um livro muito doce
Desejos do Coração da Jude Deveraux - pensando nisso, tenho que reler este livro! :)


2. Catapora (varicela): um livro que você leu e não lerá de novo
Elspeth - A Senhora do Pensamento de Isobelle Carmody


3. Ciclo Menstrual (não é doença, mas tá...): um livro que você relê constantemente
Herança de Fogo da Nora Roberts (isto para não estar sempre a nomear Jogo de Mãos)


4. Gripe: um livro que se espalhou como um vírus
A Culpa é das Estrelas de John Green. Sorry, mas não percebo como assim foi já que não gostei nada do livro.


5. Asma: um livro que tirou seu fôlego
A Revolta de Suzanne Collins - aquela parte final... sem palavras.


6. Insónia: um livro que tirou seu sono
Tudo o que Ficou para Trás da Nora Roberts


7. Amnésia: um livro do qual você não se lembra muito bem
Escândalos Privados da Nora Roberts. Já li há alguns anos, sei que gostei, mas já há muita coisa de que não me lembro.



8. Má nutrição: um livro que tem falta de conteúdo para reflexão
Tita, As 50 sombras da treta foram a minha primeira resposta! Mas para não em repetir... Despertada de P.C.Cast, o último livro que li da série - foi aquele em que gritei "BASTA! Chega desta treta! É sempre mais do mesmo." Não sei se foi com estas palavras mas foi este o sentimento.



9. Jetlag: um livro que te leva para outro tempo/lugar
Harry Potter. Toda a saga =D


10. Desidratação: um livro que fez você chorar sem parar
A Escolha do Coração de Amanda Brooke - é um livro bastante emotivo. Só de pensar na escolha que a protagonista teve de fazer...




Convido todos aqueles que também padecem de alguma doença literária a responderem a esta TAG. Quem sabe, aqueles que já responderam da primeira vez não tenham outras respostas para dar? :)

terça-feira, 8 de setembro de 2015

Uma Terra Distante - Nora Roberts


Uma Terra Distante
A World Apart

Nora Roberts
Livro Único

SDE para a revista Flash (2014)
125 páginas

Origem: Estante
                                         3/7 - Nem gostei nem detestei


Kadra é uma exterminadora de demónios à caça de uma criatura perigosa que transforma homens em monstros. Ao descobrir que a sua presa foi parar à Nova Iorque do séc. XX, é forçada a viajar a esse mundo onde trava uma amizade improvável com Harper Doyle. Sem ele, mal consegue compreender e sobreviver num mundo tão estranho. Mais estranho ainda são os sentimentos que sente nascer por Harper. Mas a não ser que impeça o demónio, ambos os mundos – bem como a relação entre os dois – podem não sobreviver à destruição…


Um mundo novo, monstros novos, cultura nova. Tudo isto mas a protagonista é transportada para a nossa Terra e confrontada com a nossa realidade. É forçada pelo destino a trabalhar com Harper Doyle que por sua vez é confrontado com toda a sua bagagem. Uma boa história mas que peca pela pouca complexidade dos intervenientes e das suas atitudes e pela enorme rapidez com que se desenrola toda a história entre ambos. Claro que o tamanho pequeníssimo do conto obriga a alguma leveza e rapidez, ainda assim é tudo muito abrupto e algo superficial, embora tenha as suas qualidades.

sexta-feira, 4 de setembro de 2015

Alera | Sacrifício - Cayla Kluver



Alera | Sacrifício
Sacrifice

Cayla Kluver
Legacy #3

Planeta (2013)
384 páginas

Origem: Biblioteca
4/7 - Gostei mas tenho reservas

+1 Finish The Series Reading Challenge 2014


ALERA, rainha de um reino perdido, secretamente apaixonada pelo inimigo.

SHASELLE, filha de um pai assassinado, uma rebelde com causa.

Uma vive atrás das antigas muralhas do palácio de Hytanican e caminha no fio da navalha para manter a frágil paz na sua amada terra. A outra erra pelas ruas devastadas pela guerra, em busca de vingança para a tragédia que atingiu a família. Ambas fazem escolhas que as irão separar daqueles que não conseguem deixar de amar. Como as suas histórias se entrelaçam, uma conspiração toma forma e tanto pode acabar em escravidão ou morte, ou ter de novo liberdade, mas apenas se cada uma conseguir enfrentar o que deve ser sacrificado.


É com Sacrifício que fechamos a trilogia Alera, uma história passada num mundo parecido com o nosso, numa era medieval, com reinos bastante distintos principalmente na sua cultura. Nota-se que a escritora é algo jovem, devido à sua linguagem simples, personagens um pouco lineares e pela forma bastante inédita com que as personagens se tratam mutuamente: apesar dos vários títulos e formalidades, todas elas se tratam por tu. Foi algo que estranhei no início e continuo a estranhar mas que consegui ignorar na sua maioria neste livro.

Neste último livro, temos Hytanica dominada pelos cokyrianos, o reino vizinho e inimigo. Para além dos choques entre dominadores e dominantes, temos ainda os choques culturais: Hytanica é um reino religioso, com gosto pelas coisas bonitas e bem feitas e onde os homens é que mandam nas famílias e nos assuntos principais; Cokyri é um reino onde o pragmatismo e as coisas práticas vencem, onde as mulheres é que mandam, sobem mais rápido nos seus postos que os homens e estes nem direito a criar os seus filhos têm. Ainda assim, apesar das diferenças, há personagens entre ambos os reinos que se compreendem, toleram e amam. É o caso de Alera, por exemplo, a rainha da Hytanica que é agora a Magnífica Coordenadora, nomeada pela Soberana de Cokyri a estabelecer laços entre os dominadores e dominados e a certificar-se que não há problemas, apaixonada desde o início da história por Narian, o comandante cokyriano mas que nasceu hytanicano (ou lá como se diz).

Pela primeira vez a história é narrada a duas vozes - a de Alera, a rainha/Magnífica Coordenadora (que raio de títulos estes!) e a de Shaselle, uma rapariga da nobreza, meia maria rapaz. Esta diferença, face aos livros anteriores permite conhecer certos lados da história, bem como acompanhar certos acontecimentos que de outra forma não tínhamos conhecimento.
Este foi um livro mais emocionante (a visão de Shaselle ajudou bastante), com mais reviravoltas - a revolta dos dominados assim o exigia -, e com algumas personagens novas que deram mais interesse à história. Foi o desfecho de toda esta história, uma desfecho feliz se bem que algo insosso e apressado. Fiquei com a impressão que mais um capítulos ou dois para desenvolver aquele final não ficariam nada mal. Parece que a autora não sabia como atar certas pontas e deixou-as ali, a dizer-nos que tinha esperança que seriam atadas da melhor forma. Enfim, foi um desfecho morno para uma leitura morna, que só decidi levar até ao fim porque a curiosidade era maior que o aborrecimento. Acredito que para adolescentes o enfado não seja tão grande. Mas há melhor, bem melhor.


Livro anterior
16082256

quinta-feira, 3 de setembro de 2015

A Idade de Adaline


Sou fã de cinema. Aliás, já fui muito fã de cinema. No entanto nos últimos anos, o gosto tem virado mais para as séries e não são raros os filmes que vejo com interrupções pelo meio, filmes que não acabo de ver, etc. Por isso mesmo, qualquer filme que eu veja do princípio ao fim, sem qualquer tipo de interrupção voluntária é um filme que se destaca.

A Idade de Adaline é o mais recente. Com uma ideia parecida à da série Forever (série que acompanho), mas mais intensa, já que toda a acção é decorrida em 2h, temos uma protagonista que após um acidente deixa de envelhecer e permanece "bloqueada" nos 29 anos.


O que muitos não dariam por isso? No entanto, Adaline sofre por se ter de afastar da sua filha para evitar perseguições de quem repara na sua imutabilidade, por ter se afastar do amor da sua vida porque não tem a possibilidade de envelhecer junto dele, por ter de mudar constantemente de identidade, por ver morrer aqueles que ama. É um filme bastante emotivo e encheu-me as medidas como romântica que sou. Digno ou não de Óscar? Geralmente os filmes de que gosto nunca o são. Mas até gostava que este recebesse o seu mérito.


Nunca tendo visto a Blake Lively no cinema e/ou televisão, gostei da forma como ela deu vida à elegante, culta, misteriosa e ageless Adaline. A forma como retratou a sua tristeza e angústia face à impossibilidade de viver uma vida é inimitável. A participação de Harrison Ford no filme dá-se num registo em que nunca antes o tinha visto e gostei - a sua personagem acaba por ofuscar muitas outras.


Resumindo? É um filme que recomendo e que vai ficar na minha memória por muito tempo. :)
Agora toca a voltar ao Forever que o deixei meio esquecido...